A Dark Song | O Preço Mágico da Autoindulgência “Psicoterapêutica”

Longa Irlandês adentra universo ocultista no complexo ritual mágico de Abramelin para representar a tortuosa jornada de transformação de uma mãe enlutada pela perda do filho.

Em minha profunda ignorância, a magia é uma “proto-psicoterapia jungiana” que trabalha com arquétipos do inconsciente na aproximação de um conceito de realidade simbólica que é experienciada de forma estética e “subjetiva” pelo indivíduo, resvalando na máxima délfica do “conhece te a ti mesmo” em uma tortuosa viagem para dentro, acessando sombras do SELF que são suprimidas pela nossa vitrine social. Em A Dark Song, o ocultismo simboliza representações da psique sob o viés da “instância espiritual superior” na compreensão de nossas negligenciadas sombras.

Aqui temos a premissa de uma mãe desiludida pela perda do filho e a jornada mágica que a personagem decide realizar. O anseio do contato post mortem com a criança e a busca por respostas no ocultismo, revelam a angústia existencial de Sophia, nos apresentando facetas de sentimentos típicos do luto em relações sociais. Isolamento, provação e ajuda da austera figura de um mago, irão representar arquétipos em um famoso ritual que concede ao praticante um “encontro” com seu S.A.G. O arcabouço simbólico de Sophia propositalmente “jogará” de forma incômoda com a crença/ceticismo do espectador despreparado, em um filme que possui um ritmo carregado de melancolia, transmitindo a opressão do isolamento ao sintetizar a narrativa na relação ritualística de Solomon (“O Mago!”/”Psicólogo”) e Sophia (“A Grande Mãe”/“A Paciente”) dentro de uma casa (”O Criador”/“O Divã”) longe do contato humano, tornando fenômenos sensoriais como sendo dubiamente “sobrenaturais”.

O acesso a revelação de uma suposta metafísica do SELF sob o viés ocultista, levanta questionamentos importantes que podem iluminar facetas desconhecidas dentro de nós. A “subjetividade” de fatos e eventos poderiam “objetivar” a iluminação “espiritual” subvertendo o efeito mágico em um resultado minimamente esperado? A resposta dentro do filme é uma belíssima mensagem de aceitação explicitamente gráfica, que logo após se dissolve na conclusão de seus próprios símbolos criados no êxtase da narrativa, e que em essência, transformam a realidade do SELF e o desejo de Sophia em uma grande redenção interna (afinal, o que é magia se não exatamente transformação do real!).

“Não acho que você tenha me dito a verdade sobre por que você está fazendo isso.”

Avaliação: 5 de 5.

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